Sempre tive uma grande paixão pelas viagens, em descobrir lugares novos, pessoas e costumes diferentes…


Ao longo dos últimos vinte anos viajei pelos cinco continentes, totalizando 35 países.


Foi viajando que encontrei a minha vocação. Me tornei guia de turismo no Rio de Janeiro, onde estudei e obtive a credencial nas categorias: regional, nacional e internacional pela Embratur.


Em 2000, me casei e acabei fixando residência em Paris. Aqui fiz vários cursos como História da Arte na Escola do Louvre, História da Arte Renascentista na Escola Superior de Artes Aplicadas Duperré, além de outros cursos livres sobre o patrimônio artístico de Paris: arquitetura, pintura, escultura, jardins, etc.


Sou oficialmente Guia de Turismo em Paris com carteira profissional emitida pelo Ministério do Turismo e da Cultura da França.


Assim com o olhar de uma viajante e de uma profissional da área, tenho oferecido meus serviços de acompanhamento, organização e consultoria para turistas brasileiros em Paris.


Bienvenue à Paris !


Miriam Tanno Girardot


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Pedra Alta, uma rede de restaurante português na França

Outro dia, antes de visitar amigos na região parisiense, decidimos ir almoçar no Pedra Alta de Thiais. Era um sábado, o estacionamento estava lotado, mas para a nossa surpresa, entramos no restaurante e conseguimos rapidamente uma mesa. As pessoas que chegaram depois, tiverem que ficar na fila durante um momento. O restaurante estava cheio, com uma grande clientela de famílias portuguesas, mas por uma clientela bem variada. Os funcionários eram todos portugueses, simpáticos e rápidos no atendimento. A decoração do restaurante é marítima.
Olhamos o cardápio bem variado, o forte deles são os pratos de frutos do mar, mas acabamos escolhendo um espeto de filé mignon de porco e fritas. Estivemos várias vezes em Portugal, e sabíamos que os pratos de "uma dose" é mais do que suficiente para duas pessoas,  como estávamos em dois e meio, quero dizer, eu, meu marido e a nossa filha de 8 anos, pedimos uma dose.  Antes, pedimos uma porção de bolinhos de bacalhau e eu um caldo de frutos do mar. E quando chegou o nosso prato, ele era enooorme. Olha que eu e meu marido somos comilões, mas mesmo assim sobrou a metade. Acho que poderia ter sido dividido até em cinco pessoas.
Mesmo uma 1/2 dose é possível dividir em duas pessoas.

Achei a sopa e a carne bem salgada para os meus padrões, que coloco o mínimo de sal na comida e quando vou ao Brasil também acho tudo muito salgado, então desconsiderem a minha opinião. 
Para acompanhar a refeição, pedimos uma grande garrafa de água mineral Badoit e 1/2 garrafa de vinho português.


A medida que comíamos, os garçons desfilavam na nossa frente com pratos enooormes e lindos de frutos do mar e as sobremesas enooormes.

Nós dispensamos a sobremesa, mas pedimos um café expresso acompanhado de dois pastéis de nata.
A conta ficou em apenas 72,65 €.
Observando a clientela que ia embora, a maioria carregava uma pequena sacola vermelha.
Quando havíamos terminado de comer, o garçom nos perguntou se gostaríamos de levar o resto. Esse é o 1° restaurante na França onde o "dog bag" é possível ! E eles nem cobraram pela embalagem. 

Criado por Joaquim Batista, o primeiro restaurante Pedra Alta surgiu em Viana do Castelo, no norte de Portugal, há mais de 30 anos.
O seu restaurante servia os homens que trabalhavam na região, que viviam da pesca artesanal, uma profissão muito rude e que dava um apetite voraz.
Aos poucos a sua cozinha começou a ser apreciada por todos os habitantes, mas nem por isso ela foi modificada, pois o que fez a reputação do restaurante foi de servir uma cozinha abundante e plena de sabores. 
Motivado pelos compatriotas vivendo na França, ele acabou abrindo uma filial em 1998.
Atualmente, ele possui quatro restaurantes em Portugal e doze na França, sendo oito na região periférica de Paris, três em Paris e um na cidade de Orleans.

A primeira filial em Paris foi em 2013, no bairro de Bercy, no 12eme arrond. Onde, anteriormente, funcionou durante anos, um restaurante de cuisine francesa, mas sempre quando eu passava em frente, esse restaurante parecia sempre vazio, após a instalação do  português Pedra Alta, está sempre cheio.
Endereço: 13, place Lachambeaudie
Metrô: Bercy linha 6 e Cours St-Emilion  linha 14.

Em 2015, uma segunda filial foi aberta bem próxima à avenida Champs Elysées.
Endereço: 25, rue Marbeuf, 8eme arrond.
Metrô: George V ou Franklin D. Roosevelt linha 1.

E no inicio de 2017, foi aberta uma terceira na Bastilha. Achei impecável o atendimento nessa filial. A razão é simples,  o fundador da rede, o Sr. Joaquim Batista em pessoa que comanda a mais nova casa em Paris.
Endereço: 11, Boulevard Beaumarchais, 4eme. arrond.
Metrô Bastille linhas 1, 5 e 8.

O sucesso da rede é a comida de qualidade, generosa, preços baixos e bons serviços, além do "dog bag"!
Uma das particularidades da rede de restaurantes Pedra Alta é que não aceitam reservas. 
Fotos: Miriam T. Girardot

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A rue de la Huchete em Paris e seus restaurantes gregos


Essa pequena rua estreita situada entre a Boulevard Saint-Michel e a rue du Petit-Pont, foi aberta no início do século 13, e quatro séculos mais tarde já era conhecida pelas suas tavernas e casas de assados. 


A rue de la Huchete já teve moradores ilustres como Napoleão Bonaparte que morou ali de julho à outubro de 1795.

O cantor franco-armeniano, Charles Aznavour morou quando seus pais tinham um restaurante "Le Caucase" no n° 23.

Até o tenista brasileiro Guga se hospedou no Hotel Mont Blanc no n° 28, segundo Mauricio Cardoso (na matéria publicada na Veja  em 11/06/97).

Saibam que antes de se tornar um lugar muito procurado pelos turistas, o bairro sempre foi dos estudantes por causa das escolas localizadas no Quartier Latin, por isso há tantas livrarias, cinemas, cafés e restaurantes.

Essa rua oferece uma vida noturna intensa com bares, o famoso clube de jazz "La Caveau de la Huchette" criado em 1948.


E o Théâtre de La Huchette que apresenta desde 1957 "A Cantora Careca" e "A Lição", de Eugene Ionesco, sucesso absoluto de público, lotando o teatro todas as noites há mais de 50 anos, contabilizando cerca de quase 18 mil apresentações.


E se a rue Sainte-Anne é conhecida como "Little Japan" ou "Little Tokyo", a rue de la Huchette é conhecida como a "Little Greek" por causa dos inúmeros restaurantes gregos que se ali instalaram.



Os restaurantes gregos oferecem pratos fartos como espetos (brochete) de carne de porco, carneiro, frango, salmão e outros frutos do mar, acompanhado por uma batata cozida, arroz e salada. Os preços começam a partir de 15 €. Até dá para dividir o prato em dois se você não come muito.


No cardápio também tem pratos típicos gregos como a moussaka, dolmades, tzatziki, saladas gregas, etc.


Os famosos "gyros", que são sanduíches feitos com pão (pita) recheado de carne no espeto assada verticalmente (chamamos de churrasco grego no Brasil), tomate, cebola e um molho grego (à base de iogurte e  pepino) e batata frita. A partir de 5 €.
  

Mas se você são é muito fã de comida grega há restaurantes de comida francesa, italiana, asiática, além das sorveterias Amorino e Häagen Dazs e uma padaria (boulangerie).


Aproveitando o grande fluxo de turistas, abriram-se algumas lojas de souvenir.

Fotos: Miriam T. Girardot

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Viajar ao estrangeiro fica mais caro com a cobrança do IOF

Acho que como a maioria dos brasileiros, tive a desagradável surpresa ao saber que o governo brasileiro fez mudanças na taxa do IOF que passou a vigorar no dia 28 de dezembro de 2013. 

Se até então, apenas para pagamento com o cartão de crédito no exterior pagava-se 6,38% sobre o valor, agora passou a ser cobrado também:

- o carregamento de cartão pré-pago (como o VTM que eu já havia citado num post anteriormente e que achava a maneira mais econômica e segura)

- cheque de viagem

- compras com cartão de débito

- saques da conta corrente ou com o cartão de crédito no exterior

E para compra de moeda em espécie no Brasil, o IOF é de 0,38% sobre o valor.

Ai surgem muitas dúvidas:

- É melhor eu viajar com dinheiro vivo pagando apenas 0,38% e ficar estressada a viagem toda com medo de ser roubada ?

- Ou é melhor pagar os 6,38% de IOF e viajar sem estresse ?

- E não querendo nem gastar os 0,38%, a solução é trazer dinheiro vivo em reais e trocar no seu destino ? Aqui em Paris há boas casas de câmbio que não cobram nenhuma comissão,  o que pode não ser em outros destinos.

- Abrir uma conta no HSBC ou no Banco do Brasil Américas (o antigo Eurobank comprado pelo Banco do Brasil em 2012) para pagar apenas 0,38% utilizando um cartão de crédito.
HSBC clique aqui para saber mais
BB Americas clique aqui para saber mais

Qual seria a melhor alternativa ?

Acho que tudo depende da necessidade de cada viajante. Se vai a trabalho, para fazer turismo ou estudar...
Do tipo de viagem, pois quanto mais luxuosa, mais cara.
Da duração da viagem, porque em viagens longas o orçamento fica também maior.
Dependendo do destino da viagem, pode ser complicado fazer câmbio, ou a moeda do país a visitar vale mais ou menos que o nosso real.

Bom, de qualquer forma eu faria assim:

- Levaria uma parte em dinheiro vivo na moeda do país a visitar para as pequenas despesas:  transporte, lanches, gorjetas,  entradas de museus e monumentos…

- O cartão de débito ou um pré-pago para compras e gastos maiores, como a conta do hotel.

- E em último caso, se houver necessidade, o cartão de crédito para despesas e saques extras.

Lembrando que se levar em espécie "acima" de 10 mil reais ou o equivalente em moeda estrangeira, é obrigatório  fazer a Declaração de Porte de Valores (DPV) na alfândega ou antecipadamente pela internet (clique aqui). Ao fazer essa declaração, a Receita Federal não cobra nenhuma taxa ou imposto. E não há limite para a quantidade de dinheiro. Mas saibam que a Receita Federal exige:

- Comprovante da aquisição da moeda estrangeira em banco autorizado ou instituição credenciada a operar em câmbio no País, em valor igual ou superior ao declarado

- Declaração apresentada à unidade da Receita Federal, quando da entrada no território nacional, em valor igual ou superior àquele em seu poder

- Comprovante do recebimento em espécie ou em cheques de viagem, por ordem de pagamento em moeda estrangeira em seu favor, ou de saque mediante a utilização de cartão de crédito internacional, na hipótese de viajante não residente no Brasil, estrangeiro ou brasileiro.

A falta de apresentação da e-DBV (clique aqui) pode acarretar a retençao ou, até, a perda dos valores que excederem o limite de R$ 10.000,00, assim como a aplicação de sanções penais previstas na legislação brasileira.





terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Grande Prêmio da Amérique no Hipódromo Paris-Vincennes



No próximo domingo, dia 26 de janeiro 2014, acontece o Grande Prêmio da América no Hipódromo de Paris-Vincennes.
Desde 1920, é a corrida de trote mais importante da temporada, que oferece  ao vencedor um prêmio de 1 milhão de euros. 
Com um cerimonial grandioso, desfiles e outras animações, essa corrida é transmitida em 70 países.
O hipódromo abre a partir das 11:00 da manhã. 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Grande Show Equestre de Lorenzo no Hipódromo de Paris-Vincennes


À ocasião do Campeonato Mundial de Trote Montado - Grand Prix de Cornulier, neste domingo, dia 19 de janeiro, das 13:00 às 18:00, acontecem animações gratuitas para as crianças no Hipódromo Paris-Vincennes:
-visitas aos estábulos
-show de pom pom girls
-batizado de pôneis
-carrossel de cavalo em madeira
Acesso pelo RER A Joiville-le-Pont, depois há um serviço gratuito até o Hipódromo 

Heitor Villa-Lobos em Paris

13, Place Saint-Michel - Heitor Villa-Lobos morou nessa casa de 1923 a 1930
Foto: Miriam T. Girardot


Considerado, ainda em vida, o maior compositor das Américas, Heitor Villa-Lobos compôs cerca de 1.000 obras e sua importância reside, entre outros aspectos, no fato de ter reformulado o conceito brasileiro de nacionalismo musical, tornando-se seu maior expoente da música do modernismo no Brasil pelas suas obras que contém nuances das culturas regionais brasileiras, misturando os elementos das canções populares e indígenas. Foi, também, através de Villa-Lobos, que a música brasileira se fez representar em outros países, culminando por se universalizar.
Morreu em 17 de novembro de 1959, aos 72 anos, no Rio de Janeiro.
No ano seguinte, o governo criou o Museu Villa-Lobos, atualmente sediado na Rua Sorocaba n° 200, em Botafogo, no Rio de Janeiro. 

- Infância
Filho da dona-de-casa Noêmia Villa-Lobos e do funcionário da Biblioteca Nacional e músico amador Raul Villa-Lobos, Heitor Villa-Lobos nasce a 5 de março de 1887, no bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro.
Além da cidade do Rio de Janeiro, Villa-Lobos reside com a família em cidades do interior do estado do Rio de Janeiro (Sapucaia) e de Minas Gerais (Cataguazes e Bicas) durante os anos de 1892-1893. Nessas viagens, conhece as modas caipiras e os tocadores de viola, que formam parte do folclore musical brasileiro e que, mais tarde, vem a universalizar-se em suas obras.
Ao retornarem ao Rio de Janeiro, os Villa-Lobos transformam sua casa num ponto de encontro de nomes respeitados da época, que ali se reúnem, todos os sábados, para tocar até altas horas da madrugada. Esse hábito, que dura anos, influi decisivamente na formação musical de Villa-Lobos que, logo cedo, inicia-se na música.
A partir dos seis anos de idade, aprende, com o pai, a tocar clarinete e violoncelo (este último em uma viola especialmente adaptada). Raul Villa-Lobos ainda lhe obriga a exigentes exercícios de percepção musical que incluem o reconhecimento de gênero, estilo, caráter e origem de músicas, de notas musicais e ruídos.
Foi também nessa época, e graças à sua tia Fifina (que lhe apresenta os prelúdios e fugas do "Cravo Bem Temperado"), que Tuhú (seu apelido de infância) fascina-se pela obra de Johann Sebastian Bach, compositor que acaba por servir-lhe de fonte de inspiração para a criação de um de seus mais importantes ciclos, o das nove "Bachianas Brasileiras".

- Contato com Chorões
Ao voltar ao Rio de Janeiro, a música praticada nas ruas e praças da cidade também passa a exercer sobre ele um atrativo especial. É o "choro", composto e executado pelos "chorões", músicos que se reunem regularmente para tocar por prazer e, ainda, em festas e durante o carnaval. Tal interesse leva-o a estudar violão escondido de seus pais, que não aprovam sua aproximação com os autores daquele gênero, considerados marginais.
No início dos anos 20, como conseqüência desse envolvimento com o choro, começa a compor um ciclo de quatorze obras, para as mais diversas formações, intitulado "Choros"; nasce aí uma nova forma musical, onde aquela música urbana se mescla a modernas técnicas de composição.
- Viagens pelo Brasil 
Com a morte de Raul Villa-Lobos, em 1899, Noêmia não consegue mais conter o filho.
Em 1905, Villa-Lobos parte em viagens pelo Brasil. Visita os estados do Espírito Santo, Bahia e Pernambuco, passando temporadas em engenhos e fazendas do interior, em busca do folclore local.
Em 1908, chega à cidade de Paranaguá, estado do Paraná, lá permanecendo por dois anos, tocando violoncelo para a alta sociedade local e violão para os jovens.
Entre os anos de 1911 e 1912 faz parte de uma excursão pelo interior dos estados do Norte e do Nordeste. É nesse momento que conhece a Amazônia - fato ainda não comprovado - o que marca, segundo ele, profundamente sua obra.
De volta ao Rio de Janeiro, conhece aquela com quem se casa em 1913: Lucília Guimarães.

- Maioridade Artistica 
O ano de 1915 marca o início da apresentação oficial de Villa-Lobos como compositor, com uma série de concertos no Rio de Janeiro. Na época, casado com a pianista Lucília Guimarães, ganha a vida tocando violoncelo nas orquestras dos teatros e cinemas cariocas, ao mesmo tempo em que escreve suas obras. Os jornais publicam críticas contra a modernidade de sua música.
Anos mais tarde, o compositor faz questão de explicar:
"Não escrevo dissonante para ser moderno. De maneira nenhuma. O que escrevo é conseqüência cósmica dos estudos que fiz, da síntese a que cheguei para espelhar uma natureza como a do Brasil. Quando procurei formar a minha cultura, guiado pelo meu próprio instinto e tirocínio, verifiquei que só poderia chegar a uma conclusão de saber consciente, pesquisando, estudando obras que, à primeira vista, nada tinham de musicais. Assim, o meu primeiro livro foi o mapa do Brasil, o Brasil que eu palmilhei, cidade por cidade, estado por estado, floresta por floresta, perscrutando a alma de uma terra. Depois, o caráter dos homens dessa terra. Depois, as maravilhas naturais dessa terra. Prossegui, confrontando esses meus estudos com obras estrangeiras, e procurei um ponto de apoio para firmar o personalismo e a inalterabilidade das minhas idéias".
- Semana de Arte Moderna
No Brasil do início do século XX, a influência européia (mais especificamente, francesa) e a permanência do espírito conservador do fim do século XIX incomodam a juventude, que começa a reagir a tudo isso. Surge, então, um movimento chamado Modernista que, em fevereiro de 1922, é oficializado em São Paulo, através da Semana de Arte Moderna. Atividades de vários campos da arte são apresentadas no Theatro Municipal daquela cidade.
Convidado por Graça Aranha, Villa-Lobos aceita participar dos três espetáculos da "Semana", apresentando, dentre outras obras, as "Danças Características Africanas".
- Viagens pela Europa
Já bastante conhecido no meio musical brasileiro, alguns de seus amigos começam a incentivá-lo a ir à Europa, e apresentam à Câmara dos Deputados um projeto para financiar sua ida a Paris. Em meio a protestos que condenam a iniciativa, a proposta é aprovada e Villa-Lobos parte, em 1923, para o que seria sua primeira viagem ao Velho Continente. Ao chegar, Debussy - uma de suas grandes inspirações - já não é mais vanguarda, e artistas e intelectuais da efervescente capital francesa voltam seus olhos e ouvidos para os compositores russos, como Igor Stravinsky, que fazem música original, moderna e de caráter nacionalista.
Desconhecido, Villa-Lobos começa a entrar no ambiente artístico parisiense através de Tarsila do Amaral e de outros artistas plásticos brasileiros; Arthur Rubinstein - que já o conhece do Brasil - e o soprano Vera Janacópulos divulgam suas obras em recitais por vários países.
Em função de um drástico corte no orçamento inicial solicitado, e apesar do apoio financeiro de um grupo de amigos e mecenas, Villa-Lobos se vê, em 1924, forçado a voltar ao Rio de Janeiro. Em sua chegada ao Brasil, é assim saudado pelo poeta Manuel Bandeira:
"Villa-Lobos acaba de chegar de Paris. Quem chega de Paris espera-se que chegue cheio de Paris. Entretanto, Villa-Lobos chegou cheio de Villa-Lobos. Todavia uma coisa o abalou perigosamente: a 'Sagração da Primavera', de Stravinsky. Foi, confessou-me ele, a maior emoção musical da sua vida.(...)".
Em 1927, o compositor retorna a Paris para uma temporada de três anos, desta vez em companhia de Lucília Villa-Lobos, para organizar concertos e publicar várias obras pela editora Max-Eschig, à qual é apresentado quando de sua primeira ida à França. Faz mais amigos, e artistas como Magda Tagliaferro, Leopold Stokowski, Maurice Raskin, Edgar Varèse, Florent Schmitt e Arthur Honneger freqüentam sua casa e participam das feijoadas dos domingos.
A partir dessa segunda temporada na capital francesa, ganha prestígio internacional, apresentando suas composições em recitais e regendo orquestras nas principais capitais européias. Causa forte impressão no público e na crítica, ao mesmo tempo em que provoca reações por suas ousadias musicais.
No segundo semestre de 1930, Villa-Lobos - a convite - retorna ao Brasil, provisoriamente, para a realização de um concerto em São Paulo. Contudo, não prevê que, neste seu retorno, está inaugurando um novo capítulo em sua biografia.
- O Educador
Villa-Lobos preocupa-se com o descaso com que a música é tratada nas escolas brasileiras e acaba por apresentar um revolucionário plano de Educação Musical à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. A aprovação do seu projeto leva-o a mudar-se definitivamente para o Brasil.
Em 1931, reunindo representações de todas as classes sociais paulistas, organiza uma concentração orfeônica chamada "Exortação Cívica", com a participação de cerca de 12 mil vozes.
Após dois anos de trabalho em São Paulo, Villa-Lobos foi convidado oficialmente por Anísio Teixeira, então Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro, para organizar e dirigir a Superintendência de Educação Musical e Artística (SEMA), que introduz o ensino da música e do canto coral nas escolas.
Como conseqüência do seu trabalho educativo, embarca para a Europa, em 1936, como representante do Brasil no Congresso de Educação Musical em Praga.
De retorno ao Brasil, ainda em 1936, une-se à sua secretária, Arminda Neves d'Almeida.
Com o apoio do então presidente da República, Getúlio Vargas, organiza concentrações orfeônicas grandiosas que chegam a reunir, sob sua regência, até 40 mil escolares, e, em 1942, cria o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, cujos objetivos são: formar candidatos ao magistério orfeônico nas escolas primárias e secundárias; estudar e elaborar diretrizes para o ensino do canto orfeônico no Brasil; promover trabalhos de musicologia brasileira; realizar gravações de discos etc.

- Villa-Lobos nos Estados Unidos

Irei aos Estados Unidos somente quando os americanos quiserem me receber como eles recebem a um artista europeu, isto é, em razão das minhas próprias qualidades e não por considerações políticas...".
Apesar dessa resistência inicial - é o momento da chamada "política da boa vizinhança" praticada pelos EUA com aliados na 2ª Guerra Mundial -, Villa-Lobos, convencido pelo maestro Leopold Stokowski, aceita o convite do maestro norte-americano Werner Janssen para uma turnê pelos EUA, em 1944.
A partir daí, retorna àquele país várias vezes, onde rege e grava suas obras, recebe homenagens e encomendas de novas partituras, além de estabelecer contato com grandes nomes da música norte-americana, fechando, assim, o ciclo de sua consagração internacional.
Villa-Lobos morre de câncer, em 17 de novembro de 1959, no Rio de Janeiro.

"Era um espetáculo. Tinha algo de vento forte na mata, arrancando e fazendo redemoinhar ramos e folhas; caía depois sobre a cidade para bater contra as vidraças, abri-las ou despedaçá-las, espalhando-se pelas casas, derrubando tudo; quando parecia chegado o fim do mundo, ia abrandando, convertia-se em brisa vesperal, cheia de doçura. Só então percebia que era música, sempre fora música".
Crônica de Carlos Drummond de Andrade
publicada quando Villa-Lobos morreu

Fonte da Biografia: Museu Villa-Lobos clique aqui

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Os restaurantes japoneses da rue Sainte-Anne

Gosto dos restaurantes japoneses da rue Sainte-Anne porque é ali que encontro o mesmo sabor da "cuisine japonaise" de quando morei no Japão, com o mesmo tipo de atendimento e barato.
A maioria não aceita reserva, então o negócio é ficar na fila. E como no país de origem, os restaurantes oferecem um  serviço muito rápido, então as mesas se liberam rapidamente. E é pelo tamanho das filas que vemos onde podemos comer bem.
A clientela é formada por franceses, japoneses e asiáticos que vivem aqui, lembrando que há muitos assalariados que trabalham no bairro (financeiro de Paris),  além dos turistas japoneses, que são exigentes e não comem em qualquer lugar.
Durante anos tenho frequentado o Higuma, ou como dizem os franceses "Igumá",  no n° 32 bis, que mais parece uma cantina, seguindo o modelo dos restaurantes populares no Japão. 
Na vitrine podemos ver os pratos reproduzidos em plástico. 
A especialidade da casa é o lamen, um macarrão servido com um caldo, variando o acompanhamento: porco, tempurá de frutos do mar, legumes, etc. Os preços começam a partir de 7 €.
Aqui nada de sushi e sashimi. Somente pratos populares como katsudon, oyakudon, yakinikudon… 
O gyoza é uma delicia. Uma porção de 7 gyozas custa 5,50 €.
O proprietário é japonês, mas como muitos restaurantes dessa rua, os cozinheiros são chineses. Todo o equipamento da cozinha que pode ser visto do balcão, foi trazido do Japão.
Eles abriram um outro na Rue Saint-Honoré, n° 163, mas todas as vezes em que comi lá, não dei sorte, sempre tinha algo que me desagradava, era o prato que não era exatamente como no outro restaurante ou era o serviço que deixava a desejar, por isso vou apenas no da rue Sainte-Anne. 
Também gosto de comer no Aki, no n°11. Os funcionários são asiáticos, mas não japoneses, mas a comida é 100% japonesa, inclusive servem combinados a bons preços, e uma especialidade de Kansai, o okonomiyake, uma espécie de crepe salgada com diversos recheios. 
O prato preferido da minha filha é o menu B - carne de porco à milanesa + tigela de arroz + 1/2 soba : 12,90 €. 
O meu é o kare raisu de porco que é um molho à base de caril picante ou não servido com arroz. Esse da foto é o 1/2 kare raisu a 5,30€. 
Quase em frente,encontra-se a Boulangerie que leva o mesmo nome Aki, oferecendo uma grande variedade de pães e doces japoneses, além dos bentos (lunch box), também possuindo uma sala no subsolo e mesas na calçada.
Atualmente vou muito no Izakaya Taisho Ken 3, ali posso praticar a língua japonesa, pois todos os funcionários são japas,  a comida é boa e oferece menus econômicos para o almoço. O cardápio com as fotos dos pratos.
O gyoza deles é de frango, sendo que geralmente são de carne de porco, mas igualmente delicioso. Uma porção de 7 gyozas custa 6€. 
Udon de carne + 1 inarizushi : 11€
A cozinha do Kunitoraya
Costumava ir  no excelente restaurante japonês Kunitoraya quando ainda funcionava no n° 39  da rue Sainte-Anne.  Depois que se mudaram para um espaço maior e abriram um segundo, eu ainda não fui conferir. Quer dizer até fui conferir, mas consegui fazer apenas as fotos porque ao contrario dos outros restaurantes japas, eles fecham entre os dois serviços.
De 2a. à 6a. feira: aberto do meio-dia às 15:00 e das 19:00 às 23:00 -
 Sábado e domingo do meio-dia às 18:00 e das 19:00 às 23:00 -
ultimo pedido 30 min antes do fechamento e nos finais de semana à noite 1h antes
Fechado nas 4as.feiras
Os dois na rue Villedo, nos n°s 1 e 5, bem próximos da rue Sainte-Anne, basta virar a esquina do Higuma. O do n° 5 é possível fazer reserva.
São 100% japas. A especialidade que fez a fama da casa é o udon, um macarrão mais  grosso que o lamen, feito à base de farinha de trigo, água e sal,  servido com um caldo à base de legumes, porco, camarão, peixe ou frango. Também servem pratos tradicionais como sushi, tempurá, grelhados, etc. Nos dois novos endereços, os preços são bem mais elevados, oferecendo menus para o almoço e o jantar. O udon começa a partir de 16 €. Confiram o site deles clicando aqui
Esse é o Kunitoraya no n° 1 rue Villedo

Uma grande parte desses restaurantes aceitam cartão de crédito somente a partir de 20 a 25 euros.
Acesso à rue Sainte-Anne pelo metrô Pyramide linha 14.

Fotos: Miriam T. Girardot

Forever 21 em Paris !

144, rue du Rivoli, Paris
Foto: Miriam T. Girardot


A característica da marca americana Forever 21 é lançar todos os dias entre 10 a 400 novidades, que sejam roupas ou acessórios. Essa renovação incessante aliada às coleções de série limitada durante um curto período, visa a instaurar um efeito de raridade. 
Sucesso absoluto entre as adolescentes pelo estilo e principalmente pelo preço. A marca copia descaradamente os modelos de um bom número de estilistas famosos como Anna Sui, Diane de Fürstenberg e Philip Lim. Uma vez apresentados nas passarelas, são rapidamente copiados e vendidos à preços baixos, quanto à qualidade é muito aleatória.
Os criadores da marca é um casal de coreanos imigrantes, Do Won Chang e Jin Sook, que vivem em Los Angeles.
Possuem 560 lojas espalhadas no mundo. A marca é dirigida pelos pais e as duas filhas. O objetivo deles é abrir 80 pontos de vendas à cada ano. 
Aqui na França, já possuem 4 lojas:
- A primeira no Centre Commercial de Vélizy, perto de Versailles. 
- A segunda no Centre Commercial de Rosny 2, em Saint-Denis. 
- A terceira inaugurada em outubro passado, em pleno centro de Paris, com 4.500m2, na 144 rue de Rivoli. 
- A quarta foi inaugurada no novíssimo Centre Commercial Aéroville, perto do Aeroporto Charles de Gaulle.

- A última foi inaugurada no dia 25 de abril 2015, no Centre Commercial Forum Les Halles - Zone Rambuteau - nivel -2

As duas marcas francesas que são do mesmo gênero da Forever 21, estilo jovem e com preços acessíveis :

- Pimkie - clique aqui
- Jennifer - clique aqui


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Exposição "I ❤ Martine" em Paris !

Em 1954, período em que nasceram as primeiras séries destinadas ao público infantil, a editora belga Casterman pede à seus dois colaboradores, Gilbert Delahaye (autor e tipografo) e Marcel Marlier (ilustrador), para criarem um personagem feminino destinado à um público de 5 à 8 anos. Assim é criada Martine, em pleno período de baby-boom. As crianças  aderem em massa à esse personagem com a qual se identificam imediatamente.
Ela é uma menina modelo, que com seus irmãos John e Alain, seus amigos, seu cão Patapouf e o gato Moustache, vivem aventuras baseadas na vida cotidiana. Cada estória é relacionada à um evento: Martine vai para a fazenda, ao mar, as montanhas, ao circo, ao jardim zoológico, à cozinha, praticar vela, equitação, dança, teatro… tudo o que é relativamente trivial na vida de uma criança: em movimento, hospitalização, nascimento de um irmãozinho ...  
Os anos 60 foram marcados pela arte de viver e seu otimismo caracterizada pela abundância da época. Martine é um personagem que se beneficia de todo o conforto moderno, uma menina liberada e antenada com o seu tempo.
A série testemunha um certo ideal dos anos 1950, 1960 e 1970. A partir de 1980, a série se torna menos representativa da sua época e os críticos diziam que a obra é retrograda ou sexista, apresentando um universo burguês com suas preocupações. Mas mesmo assim,  a série continuou sendo um fenômeno editorial.
Desde sua criação, a série conheceu uma tiragem de cerca de 100 milhões de exemplares, vendido em mais de trinta países. Em Portugal e no Brasil é editado pela Editora Verbo, e a personagem chama-se Anita. Marika no Japão. Emma na Inglaterra.
As histórias , escritas por Gilbert Delahaye (1923-1997) e depois da morte deste último, por Jean-Louis Marlier. Ilustradas por Marcel Marlier, filho do Jean-Louis Marlier. A série foi interrompida em 2011 com a morte do ilustrador Marcel Marlier aos 80 anos.
As ilustrações que fez o sucesso da série evoluiu ao longo dos anos, mas em geral, é de um realismo bastante ingênuo. O projeto é detalhado, as luzes são lisonjeiras, as cores pastel.
O Museu en Herbe apresenta desde ontem, a exposição "I Martine" até o dia 02 de março 2014, com as ilustrações originais de Marcel Marlier. Uma retrospectiva de Martine no seu contexto histórico, sociológico e artístico. As visitas tornam mais interessantes para as crianças quando elas são guiadas, basta fazer a inscrição por telefone ou e-mail.


Fotos: Miriam T. Girardot

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Aniversario de batismo de Molière

Hoje, dia 15 de janeiro de 1622, comemora-se o aniversário de batismo do grande dramaturgo francês Molière, pois ignora-se a data do seu nascimento.
Molière estava na poltrona quando se sentiu mal, no momento em que atuava na peça "O Doente Imaginário", morrendo duas horas depois na sua casa, na rue Richelieu.
Por isso, a poltrona reproduzida duas vezes maior que o tamanho normal, se encontra exposta em frente à Comédie Française, na Place Colette, até domingo à noite. Este é o quinto ano consecutivo em que este exemplar gigante é exposto,  produzido pela oficina de decoração da Comédia Francesa, em Sarcelles, no Val-d'Oise.
A poltrona original, como eu disse no post de 07/11/2013 sobre a Comédia Francesa, encontra-se exposta à direita da grande lareira do Foyer Public. 
Fotos: Miriam T. Girardot 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Liquidação de inverno 2014 em Paris !

A liquidação começou hoje e vai durar cinco semanas, terminando no dia 11 fevereiro !
Fotos: Miriam T. Girardot 
 A marca Gap oferece até 75% de desconto !

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Café Gourmand ???

Foto: Miriam ATG 
O que mais se vê nos cardápios parisienses é o "café gourmand" que acredita-se que tenha surgido em Paris por volta de 2005. 

Foto: Miriam ATG 
É uma tendência geral na França que os almoços em restaurantes sejam mais rápidos do que no passado.

No século 20, era comum ter uma entrada, um prato principal, um prato de queijo, uma sobremesa, uma xícara de café e por último, um digestivo.

Fotos: Miriam T. Girardot 






O " café gourmand" representa mais um passo para ganhar-se tempo,  encomendando a sobremesa e o café de uma só vez.

Foto: Miriam ATG 

Além do ganho de tempo, há outras vantagens:

- Dá a oportunidade de comer várias sobremesas diferentes de uma só vez, sem se sentir culpado com as calorias, uma vez que a quantidade de cada sobremesa é pequena.

- Cria uma sensação de mistério e surpresa porque os nomes das mini-sobremesas não estão indicadas no menu.

- E para as pessoas que desejam manter a linha sem deixar de comer um docinho...

Geralmente o café servido é um expresso.

As sobremesas mais servidas são mini-crème brûlée, mini-mousse de chocolate, mini-torta de maça, mini-bola de sorvete, macaron…

Foto: Miriam ATG