Sempre tive uma grande paixão pelas viagens, em descobrir lugares novos, pessoas e costumes diferentes…


Ao longo dos últimos vinte anos viajei pelos cinco continentes, totalizando 35 países.


Foi viajando que encontrei a minha vocação. Me tornei guia de turismo no Rio de Janeiro, onde estudei e obtive a credencial nas categorias: regional, nacional e internacional pela Embratur.


Em 2000, me casei e acabei fixando residência em Paris. Aqui fiz vários cursos como História da Arte na Escola do Louvre, História da Arte Renascentista na Escola Superior de Artes Aplicadas Duperré, além de outros cursos livres sobre o patrimônio artístico de Paris: arquitetura, pintura, escultura, jardins, etc.


Sou oficialmente Guia de Turismo em Paris com carteira profissional emitida pelo Ministério do Turismo e da Cultura da França.


Assim com o olhar de uma viajante e de uma profissional da área, tenho oferecido meus serviços de acompanhamento, organização e consultoria para turistas brasileiros em Paris.


Bienvenue à Paris !


Miriam Tanno Girardot


quarta-feira, 5 de julho de 2017

Cidra ou Sidra ?

Foto: Miriam ATG
Aqui na França, escreve-se "cidre", bebida que contém 2 a 8% de álcool obtido à base da fermentação do suco de maçã.

Me lembro que no Brasil, quando eu era criança, ouvia dizer que a sidra era o champagne do pobre.

Aqui na França, a sidra é tradicionalmente consumida quando se come crepes.
Mas também para acompanhar o peixe, desde que seja seco e acidulado (brut).
Uma sidra mais adocicada (doux) para comer uma torta de maçã.
Ou simplesmente, beber a sidra como um aperitivo.

Foto: Miriam ATG 
Bebida conhecida desde a Antiguidade, os egípcios e gregos apreciavam seus poderes refrescantes e principalmente curativos. 

Na Idade Média (século XII), graças aos monges que cultivavam macieiras em seus mosteiros,  o cultivo de maçãs se espalhou na Normandia. 

A introdução de algumas variedades de maçã trazidas da Espanha para a França, por Charles o Malvado, no século XIV, permitiu produzir uma sidra de melhor qualidade, embora nesta época, o vinho era a bebida favorita dos senhores e a cerveja era a bebida do povo.

Algumas décadas mais tarde, Charles IX decidiu erradicar os vinhedos normandos que eram de má qualidade, liberando as terras para desenvolver o cultivo de macieiras, o que fez com que a Normandia se tornasse a primeira região produtora de sidra na França. 

No século XIX, o consumo de sidra começou a crescer. Infelizmente, a guerra de 1914/1918 parou esta dinâmica, por um lado pela descoberta de vinho e da cerveja pelos soldados, por outro lado, pelo início do êxodo rural que levou o declínio gradual do cultivo da maçã. 

Em menos de um século, o consumo de sidra passa de 60 litros por habitante para menos de 2 litros, enquanto o vinho é consumido 44 litros por habitante e a cerveja 20 litros por habitante.

Hoje, os profissionais da indústria de sidra tenta inverter o seu consumo, privilegiando a sua qualidade através das variedades de maçãs escolhidas e de um controle técnico cada vez mais exigente.

A chave para desenvolver um sabor mais rico é a mistura de variedades de maçãs. Hoje fui à um produtor local, o Grandoeut, e lá eles misturam vinte variedades, enquanto outras chegam a misturar até 50 variedades de maçãs,  até que cada produtor encontre o seu bouquet perfeito.
Imaginem que há mais de 400 tipos de sidra.

Variedades de maça 
A colheita da maçã começa a partir de outubro. Uma média de 30 toneladas por hectare.
A cada 100 kg de maçãs obtém-se 75 a 80 litros de suco. 
Depois de terem sido prensadas, o suco extraído das maçãs chamado mosto e um resíduo sólido, o bagaço. Recuperando o mosto que é colocado em tanques onde a fermentação começa.

Foto: Miriam ATG 

Há 9 milhões de macieiras na Normandia, em ambos os lados do rio Sena, produzindo 530 mil litros de sidra por hectare.

A Normandia é uma região belíssima, principalmente na primavera, quando as macieiras estão floridas, variando do branco ao rosa.

Macieiras em flor - foto: Miriam ATG 
Em 1975 foi criada a "Route du Cidre - Rota da Sidra" para a valorização da bebida nos vilarejos do Pays d'Auge (Baixa-Normandia): Cambremer, Beuvron en Auge, Beaufour, Bonnebosq, Grandouet, Rumesnil, Victot-Pontfol, St Aubin-Lebizay, La Roque Baignard, Druval, Crevecouer en Auge… 
Basta seguir as placas "Route du Cidre" e você encontrará os produtores locais, onde a visita às caves são permitidas, seguida de uma degustação e comercialização da sidra. 
Foto: Miriam ATG 
A Rota da Sidra nos oferece um percurso numa região com belíssimas paisagens, a arquitetura rural dos vilarejos e das fazendas em estilo enxaimel...

Casa rural em estilo enxaimel - foto: Miriam ATG 
Uma outra bebida local pouca conhecida dos brasileiros é o Calvados, um tipo de aguardente (eau-de-vie) obtida da destilação da sidra com teor alcóolico entre 40 e 45°C. 

Com essa aguardente foi criado um coquetel típico local "trou normand - buraco normando".
O Calvados também pode ser consumido como um digestivo, mas também usado na preparação de pratos e sobremesas locais.
Foto: Miriam ATG 
Fontes:
http://www.patrimoine-normand.com
http://www.larouteducidre.fr



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