Sempre tive uma grande paixão pelas viagens, em descobrir lugares novos, pessoas e costumes diferentes…


Ao longo dos últimos vinte anos viajei pelos cinco continentes, totalizando 35 países.


Foi viajando que encontrei a minha vocação. Me tornei guia de turismo no Rio de Janeiro, onde estudei e obtive a credencial nas categorias: regional, nacional e internacional pela Embratur.


Em 2000, me casei e acabei fixando residência em Paris. Aqui fiz vários cursos como História da Arte na Escola do Louvre, História da Arte Renascentista na Escola Superior de Artes Aplicadas Duperré, além de outros cursos livres sobre o patrimônio artístico de Paris: arquitetura, pintura, escultura, jardins, etc.


Sou oficialmente Guia de Turismo em Paris com carteira profissional emitida pelo Ministério do Turismo e da Cultura da França.


Assim com o olhar de uma viajante e de uma profissional da área, tenho oferecido meus serviços de acompanhamento, organização e consultoria para turistas brasileiros em Paris.


Bienvenue à Paris !


Miriam Tanno Girardot


terça-feira, 11 de abril de 2017

A Santa Coroa na Catedral Notre Dame de Paris

Foto do L'Express.fr 
Na Catedral Notre Dame de Paris são preservados e apresentados à veneração dos fiéis, as insígnias das relíquias da Paixão de Cristo: a Santa Coroa de espinhos, um pedaço da cruz, um prego da Paixão.

Sua longa história tem suas raízes na Terra Santa, em Jerusalém. 
São João registra que os soldados romanos, na noite de quinta-feira a sexta-feira, zombaram de Cristo e de sua Realeza, revestindo-o com um manto de púrpura e uma coroa forrada de espinhos antes de crucifica-lo  (evangelho segundo João, cap. 19). 
A veneração dos instrumentos da Paixão de Cristo é mencionada no século IV nas histórias de peregrinos que se renderam em Jerusalém. Especialmente a Verdadeira Cruz descoberto por Santa Helena, mãe do imperador Constantino, logo após o Concilio em Nicéia, em 325. 
Entre os séculos  VII e X, essas relíquias foram gradualmente transferidas para Constantinopla, na capela dos imperadores bizantinos, para evitarem de serem saqueados como o Santo Sepulcro que sofreu saques durante as invasões persas. 
Em 1238, Baldouin II de Courtenay, imperador latino bizantino, encontra-se em sérias dificuldades financeiras.  Ele propõe a coroa de espinhos ao rei da França Luís IX, o futuro Saint Louis, que aceita a oferta.  Mas os governantes do império já haviam oferecido essas relíquias como garantia aos banqueiros venezianos, aos quais, Louis IX os recompensa. 
Em 10 de agosto 1239, ele abriga vinte e duas relíquias em Villeneuve-l'Archevêque. Em 19 de agosto 1239, a procissão chegou em Paris, o rei abandonou seus trajes reais, vestindo de uma túnica simples e descalço, ajudado pelo seu irmão, leva a Santa Coroa de Notre Dame em Paris. 
Saint Louis faz construir um santuário para abrigar essas relíquias: a Santa Capela. 
Durante a Revolução Francesa, as relíquias foram depositados na abadia de Saint-Denis, em seguida, na  Biblioteca Nacional. 
Após a Concordata de 1801, a Santa Coroa é concedida em 1804, com algumas outras relíquias, ao Arcebispo de Paris, que as coloca no tesouro da Catedral, em 10 de agosto 1806. 
Desde então, as relíquias foram confiadas aos cânones do Capítulo responsável por sua veneração e colocado sob a custódia legal dos cavaleiros do Santo Sepulcro de Jerusalém.
A Coroa de espinhos de Jesus Cristo
A Santa Coroa é sem dúvida, a relíquia mais valiosa e a mais venerada das relíquias conservadas na Catedral Notre Dame de Paris: há mais de dezesseis séculos é objeto de oração fervorosa da Cristandade. 
Constituída por um círculo de hastes combinados em feixes e mantidos por fios ouro, um diâmetro de 21 centímetros, onde se encontram os espinhos. Estes foram dispersos ao longo dos séculos por doações feitas pelos imperadores bizantinos e pelos reis da França. Há cerca de setenta delas que afirmam serem originais. 
Desde 1896, a relíquia é mantida em um tubo de cristal e ouro, coberto com uma montagem que havia uma figura de Zizyphus ou Spina Christi - arbusto que serviu para fazer a coroa de espinhos. Este relicário doado por um fiel da diocese de Paris, é uma obra do ourives M. Poussielgue-Ruisand (1861-1933), segundo os desenhos do arquitecto JG Astruc (1862-1950).
Fragmento da madeira da Cruz 
Vem também do tesouro conservado ao tesouro da Santa Capela, que foi tomado durante a destruição do relicário na Revolução Francesa e guardado por um membro da Comissão de Artes que o deixará na Catedral Notre Dame de Paris em 1805. 
O Prego
Tem as suas origens no tesouro do Santo Sepulcro. O Patriarca de Jerusalém deu junto com outras relíquias da Paixão, ao Imperador Carlos Magno, em 799. Ele os conservou em Aix-la-Chapelle, de onde o rei Carlos II os retirou para oferecer à Abadia de Saint-Denis, onde os fiéis poderiam venerar. 
Durante a Revolução Francesa, o prego foi salvo por um membro da Comissão Temporária de Artes, que o conservou e o entrega ao arcebispo de Pari, em 1824. De um comprimento de 9 cm, ele foi conservado dentro de um relicário em forma de prego, um simples tubo de cristal decorado.
Essas relíquias foram conservadas até hoje na capela axial, na Capela Capitular da Ordem do Santo Sepulcro, colocadas em um relicário de vidro evocando o manto de púrpura que Cristo foi vestido no curso da sua Paixão.
Para a veneração dessas relíquias, os fiéis se unem à contemplação do Mistério pascal que é a fonte da fé assim como a expressão do amor redentor de Cristo que deu a sua vida para salvar o mundo.
A Santa Coroa de Espinhos é venerada toda a 1a. sexta-feira do mês e toda sexta-feira da Quaresma às 15:00. 
E toda Sexta-feira Santa das 10:00 às 17:00.
Foto: Miriam ATG

Fonte: http://www.notredamedeparis.fr


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