Sempre tive uma grande paixão pelas viagens, em descobrir lugares novos, pessoas e costumes diferentes…


Ao longo dos últimos vinte anos viajei pelos cinco continentes, totalizando 35 países.


Foi viajando que encontrei a minha vocação. Me tornei guia de turismo no Rio de Janeiro, onde estudei e obtive a credencial nas categorias: regional, nacional e internacional pela Embratur.


Em 2000, me casei e acabei fixando residência em Paris. Aqui fiz vários cursos como História da Arte na Escola do Louvre, História da Arte Renascentista na Escola Superior de Artes Aplicadas Duperré, além de outros cursos livres sobre o patrimônio artístico de Paris: arquitetura, pintura, escultura, jardins, etc.


Sou oficialmente Guia de Turismo em Paris com carteira profissional emitida pelo Ministério do Turismo e da Cultura da França.


Assim com o olhar de uma viajante e de uma profissional da área, tenho oferecido meus serviços de acompanhamento, organização e consultoria para turistas brasileiros em Paris.


Bienvenue à Paris !


Miriam Tanno Girardot


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O creme Chantilly

Foto: Miriam ATG 

Se você conhecia o Castelo de Chantilly apenas pela festa de um casamento entre Ronaldo e Daniella Cicarelli que aconteceu ali, mas não valeu, conheça a historia do creme Chantilly. 
O creme "chantilly" decora freqüentemente sobremesas, sorvetes e frutas, a sua história é incerta e as suas verdadeiras origens permanecem misteriosas até hoje. 
Muitas lendas surgiram ao longo dos séculos, a mais famosa está relacionada com o grande Vatel, mas nenhum é autêntica. Alguns esclarecimentos históricos é necessário.
A invenção do creme Chantilly é freqüentemente e erroneamente atribuída a François Vatel, que trabalhava aos serviços de Louis II de Bourbon-Condé, chamado de "Grand Condé", primo do rei e proprietário do Castelo de Chantilly. 
Em abril de 1671, Vatel é encarregado de organizar uma recepção à Louis XIV e a sua corte para selar a reconciliação entre os primos, após o Grand Condé ter cometido uma traição. A recepção durou três dias, uma sucessão de refeições, iluminações, caças e outras distrações de uma suntuosidade raramente vista.
O fato do assado para o dia seguinte não ter ficado pronto, Vatel se suicida porque não pôde suportar a indignidade do fracasso.
Certamente inspirado por problemas de abastecimento, dizem que também não tinha creme. Vatel, buscando compensar essa escassez, teria batido fortemente o pouco creme que tinha para dar-lhe volume e teria chamado de "Chantilly". 
Há muitos mistérios em torno deste personagem (suas origens, sua formação, suas funções reais ...) que contribuíram para criar o "mito Vatel", cujos dois erros mais comuns são de apresenta-lo como um cozinheiro e atribuir a invenção do creme Chantilly. 
Na verdade, nenhum texto da época, que seja as cartas de Madame de Sévigné para sua filha Madame de Grignan ou a história de "A festa de Chantilly" publicada na Gazette de 8 de Maio 1671, que contam com detalhes o festim servido durante os três dias, não fazem nenhum comentário sobre o creme Chantilly. 
Restaurando um pouco a verdade, sabemos que o creme batido é apreciado desde o tempo de Catarina de Médici. Mas o açúcar é completamente ausente dessa receita. 
Foi somente no final do século XVIII que uma associação real é feita entre o creme dito "Chantilly" e o lugar testado, no Castelo de Chantilly.
O proprietário do castelo, Louis-joseph de Bourbon, o Príncipe de Condé, inspirado nos escritos de Rosseau, que ressaltava o retorno à natureza, à vida saudável e simples dos camponeses, construiu o "Hameau de Chantilly" que eram sete casas campestres situadas ao leste do parque do castelo: um estábulo, um laticínio, um moinho, uma taberna, um celeiro e duas casas rústicas, de palha, formando uma pequena aldeia em uma paisagem com sombra. Se o celeiro, laticínios e moinho garantiam suas verdadeiras funções, havia dentro das outras construções, um luxo principesco: uma sala de jantar, uma sala de bilhar, um salão… 
Em 1775, o Príncipe de Condé organiza regularmente jantares e lanches para sua família. Abriga ainda convidados especiais como em 1777, o imperador Joseph II, irmão de Marie Antoinette (que vai construir em Versalhes, o Hameau do Trianon), assim como as filhas de Luís XV. O "Hameau de Chantilly" é o local de celebrações magníficas marcadas por concertos, passeios em canoas no pequeno canal e jantares refinados. Em 1782, Louis-Joseph recebe o Conde do Norte, que não é outro senão o futuro czar Paul I que veio incógnito visitar a França com sua esposa Marie Féodorovna.
Entre os convidados, uma amiga de infância de Marie Féodorovna, a Baronesa Oberkirch. Ela descreve em suas memórias, informações valiosas sobre a recepção: "O jantar foi servido no Hameau, pitoresca reunião de construções  campestres em meio a jardins ingleses. A maior das cabanas é forrada no interior com folhagem verde e o exterior está rodeado por tudo o que é necessário para um bom trabalhador. Foi nessa casa que forma uma única peça oval, com uma dezena de pequenas mesas, cada uma podendo acolher dez a doze convidados. Era conveniente, alegre, improvisado e perfeitamente bem imaginado."
Dois anos mais tarde, a Baronesa Oberkirch é novamente convidada para um almoço no Hameau de Chantilly. Ela menciona em suas memórias que "ela jamais comeu um creme assim tão bom, apetitoso e bem firme. Havia um prato de frutas apresentadas com um tal primor, envolvidos pela mousse, com flores do campo e ninhos de pássaros nos quatro cantos, tornando ainda mais bonito de se olhar. Assim, pela primeira vez, nasceu o nome creme chantilly em Chantilly !  
Restou o grande mistério entre o creme do século XVII e o creme Chantilly de 1784. 
Quem foi o cozinheiro que teve a idéia de colocar açúcar no creme ? 
Qual convidado do Príncipe de Condé batizou o creme de Chantilly ?  
Numerosas receitas guardam o segredo do seu nascimento, nos dando o prazer de inventar historias maravilhosas. 
Muitas vezes, o nome na gastronomia, é antes de tudo um amplificador do prazer mais do que um marco histórico pelas imagens e os sonhos que se cria durante a sua degustação. 
Então, ao degustar o creme Chantilly, sonhamos com os fabulosos jardins de Chantilly e do refinamento dos lanches campestres do século XVIII.
 Castelo de Chantilly - Foto: Miriam ATG
Para quem deseja saber mais sobre François Vatel, assista o filme "Vatel - Um Banquete para o Rei" (1999), no papel principal, Gérard Depardieu. Ai você também descobrirá que um convite para "tomar um chocolate" (considerado na época, um afrodisíaco), era um convite para uma "noite de amor"…

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