Sempre tive uma grande paixão pelas viagens, em descobrir lugares novos, pessoas e costumes diferentes…


Ao longo dos últimos vinte anos viajei pelos cinco continentes, totalizando 35 países.


Foi viajando que encontrei a minha vocação. Me tornei guia de turismo no Rio de Janeiro, onde estudei e obtive a credencial nas categorias: regional, nacional e internacional pela Embratur.


Em 2000, me casei e acabei fixando residência em Paris. Aqui fiz vários cursos como História da Arte na Escola do Louvre, História da Arte Renascentista na Escola Superior de Artes Aplicadas Duperré, além de outros cursos livres sobre o patrimônio artístico de Paris: arquitetura, pintura, escultura, jardins, etc.


Sou oficialmente Guia de Turismo em Paris com carteira profissional emitida pelo Ministério do Turismo e da Cultura da França.


Assim com o olhar de uma viajante e de uma profissional da área, tenho oferecido meus serviços de acompanhamento, organização e consultoria para turistas brasileiros em Paris.


Bienvenue à Paris !


Miriam Tanno Girardot


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

BNF - Biblioteca Nacional da França em Paris

Foto: Miriam ATG 
Neste final de semana, na Jornada Européia do Patrimônio 2017, fui visitar a BNF - Biblioteca Nacional da França, que há cinco séculos conserva coleções reais constituídas desde a Idade Média,  com 14 milhões de livros, 250 mil manuscritos, 13 milhões de estampas, fotografias e cartazes, mapas, partituras, moedas, medalhas, documentos sonoros, videos, obejtos de arte, costumes...Valeu a pena ficar uma hora na fila, quando entrei na Salle Labrouste senti um frisson pela sua beleza.

O "site Richelieu" ou a "velha biblioteca", como chamam os habitués, estão localizados no bairro de Vivienne (Passage Viviane), no coração de Paris. 

Foi em 1666, que Louis XIV instalou as coleções da biblioteca real. 
Em 1720, a biblioteca foi instalado no Hotel de Nevers, antiga residência de Mazarin, primeiro-ministro francês.
Ao longo das décadas, à medida que os livros se acumulavam em prateleiras, a biblioteca expandiu-se de forma anárquica, anexando progressivamente as mansões particulares e as terras adjacentes ao núcleo central. Tanto que, em meados do século XIX, a biblioteca imperial foi protegida em um grupo heteróclito de edifícios mais ou menos insalubres. Uma situação indigna de tal coleção!

Em 1854, o imperador Napoleão III confiou a Henri Labrouste, um projeto colossal: construir um edifício apto para acolher a biblioteca imperial. 
O arquiteto havia acabado de projetar a Biblioteca Sainte-Geneviève com um design completamente inovador. 
Mas o edifício que ele vai imaginar para a Biblioteca Imperial é muito diferente, a imensa sala de leitura para material impresso, que hoje leva o seu nome, Salle Labrouste.

Imaginemos por um momento, o percurso de um leitor que entra pela primeira vez na Biblioteca Imperial pela primeira vez, isso em 1868. 
Chegando pela Rue de Richelieu, atravessa o portão monumental e atravessa o pátio de honra. 
Ele então penetra em um grande vestíbulo, cuja atmosfera como a decoração de mármore evoca os túmulos etruscos pelos quais os estudiosos ficam fascinados. 
De frente para ele, uma porta dupla que leva a um volume monumental banhado pela luz, é a sala de leitura. O efeito é espetacular.
Foto: Miriam ATG 
Foi um desafio tecnológico para a concepção deste enorme salão de 1200m2 ! 
Primeiro problema: a cobertura. Como cobrir tal superfície fornecendo iluminação suficiente para o trabalho dos leitores? 
No inicio, o arquiteto imaginou instalar um enorme dossel. Desde a construção do Palácio Cristal para a Exposição Mundial de 1851 em Londres, a arquitetura de ferro e vidro estava na moda. Mas o problema arquitetônico era que nos dias ensolarados, a sombra dos leitores seria projetada nos livros consultados, tornando difícil o estudo.
O arquiteto procura um meio de cobrir a sala, garantindo uma luminosidade homogênea e suave, mais propício para estudar. Esta questão de iluminação era ainda mais importante na medida em que a biblioteca estava privada de iluminação artificial, pois havia muito receio de risco de incêndio.

Labrouste opta finalmente por 9 cúpulas que se repousarão sobre pilares de ferro fundido. Esta solução técnica teria sido inspirada pela estrutura de vestidos com crinolina, então em moda. As tiras ornamentais cor-de-rosa, que cercam as cúpulas da sala de leitura, seriam uma alusão discreta de fitas das roupas intimas femininas

Essas nove cúpulas asseguram uma luminosidade ideal aos leitores, mesmo em clima cinzento: a luz natural que penetra através dos óculos e assim difunde de forma homogênea.
Foto: Miriam ATG 
O sul da sala de leitura forma um semicírculo coberto por um dossel: duas cariátides enquadram a entrada monumental das portas centrais, destinadas a armazenar 900 mil volumes. 
Novamente Labrouste teve que ser engenhoso. Os dois requisitos eram a segurança das coleções e a racionalização do armazenamento. Para evitar o risco de incêndio, o metal é favorecido e a iluminação artificial é proibida. 
Labrouste imagina cinco andares, conectados regularmente por escadas, a fim de otimizar os movimentos dos usuários. 
A altura dos passadiços foi calculada para que todos os livros permaneçam acessíveis sem ter que usar escadas ou degraus, Labrouste teve a idéia de cobrir as lojas com um telhado, após ter visto isso nas fábricas de Saint-Quentin. 
Foto: Miriam ATG 
Um século e meio depois, a obra-prima de Labrouste havia perdido seu esplendor. No início do século XXI, a sala da impressão não era mais do que a sombra de si mesma: um grande volume escuro e frio, um pouco perturbador nas noites de inverno. Era preciso ser restaurada imediatamente. Além disso, a construção da nova biblioteca no 13eme, privou a sala da impressão de seu destino original, apenas os departamentos de "patrimônio" permanecem no site Richelieu. 
Foi realizado um importante projeto de restauração do prédio e da redistribuirão das coleções. A reforma começou em 2011 com previsão para terminar em 2020. 
Desde dezembro de 2016, a Salle Labrouste que compartilha seu espaço com a Biblioteca INHA e o Depto. de Estampas da Biblioteca Nacional da França, reabriu suas portas aos leitores.

A reabertura da Salle Labrouste é uma oportunidade para os leitores e o público em geral redescobrir a genialidade de um arquiteto visionário. 
A restauração rendeu o esplendor do prédio, a redescoberta das decorações, cuja riqueza estava coberta por uma camada espessa de sujeira. 
Além dos frisos ornamentais e figuras femininas que habitam as cúpulas, a sala está decorada com medalhões retratando os autores famosos.
Foto: Miriam ATG 
Mas talvez sejam as pinturas que decoram as baías do leste e do oeste, inspirada nas pinturas antigas de vilarejos da Itália,  que mais surpreendem pela delicadeza das cores usadas pelo artista Alexandre Desgoffe.  

Se você não é um leitor da biblioteca pode vir descobrir os espaços renovados nas visitas guiadas que são regularmente organizadas:
Todas as 5as.feiras às 15h30
Todos os sábados às 17h45

Site Richelieu BNF - 58, rue de Richelieu, 2eme arrondissement

Metrô: Bourse linha 3 ou Pyramides linha 7 e 14 

Fonte:http://www.bnf.fr/fr/la_bnf/sites/a.site_richelieu-louvois.html


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